ibirataia
Entre os dias 11 e 14 de setembro, a cidade de Ibirataia, no sul da Bahia, foi palco de um evento que transcende a simples celebração cultural. O Festival Cultural da Queima dos Homens de Barro, promovido pelo Cores da Terra e o Instituto Homens de Barro, trouxe à tona não só tradições ancestrais, mas também novas perspectivas para o turismo cultural e criativo na Bahia.
Mais do que um festival, o evento em Ibirataia marcou um encontro entre a tradição e o futuro, entre a arte milenar e as novas possibilidades de desenvolvimento econômico. A parceria entre o Diversifica da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) deu um passo estratégico ao incluir o ‘Projeto Geração de Qualificação de Agentes Locais para Geração de Trabalho e Renda’ na programação do festival, como forma de reconhecimento da atividade artística-cultural para o desenvolvimento social e geração de trabalho e renda para o município e região.
O ritual da Queima dos Homens de Barro, ponto alto do festival, não é apenas um espetáculo estético, mas um ato simbólico de preservação cultural. A queima das esculturas de barro, que ao serem transformadas em cerâmica se tornam permanentes, ecoa a própria luta da comunidade de Ibirataia por preservar suas raízes enquanto projeta novas maneiras de prosperar.
Paulo Gabriel Nacif, coordenador do Projeto Geração de Qualificação, destacou a importância do turismo cultural como uma ferramenta de desenvolvimento local. “O que estamos vendo aqui em Ibirataia é um exemplo de como a arte e cultura podem ser um motor de transformação econômica e social. Nossa missão é capacitar agentes locais para que esses eventos se tornem geradores de trabalho e renda sustentáveis, sem que percam sua essência cultural. A arte do barro, aqui, é símbolo de resistência e renovação”.
A artista plástica e ceramista Selma Calheira, fundadora do Cores da Terra, que há décadas promove a revitalização das tradições da cerâmica no município, falou com emoção sobre o impacto do festival e o legado cultural e a parte educativa de formação de novos ceramistas. "O festival é o ápice de um trabalho contínuo e coletivo, que começou há anos com a valorização da nossa cerâmica. Não estamos apenas moldando o barro, estamos moldando um futuro em que a arte e a cultura são os principais protagonistas no desenvolvimento de uma cidade como Ibirataia. Meu sonho é ver essa comunidade engajada, onde eu nasci e retornei para deixar o meu legado, e ver os jovens se conectarem com suas raízes por meio dessa arte é algo indescritível”.
O festival impactou os turistas de diversos estados brasileiros que compareceram ao evento. Entre eles, Derivaldo Salles, visitante de Salvador, compartilhou a importância da cerâmica como arte e cultura da região. "É impressionante como algo tão antigo pode ser tão moderno ao mesmo tempo. O barro se transforma em cerâmica, mas nós, como espectadores, também somos transformados. Saio daqui com uma nova visão sobre o poder da criatividade, de como é importante manter a arte viva".
Para a ceramista de Salvador, Carol Morena, que realizou formação para crianças e estudantes das escolas públicas do município e expôs suas cerâmicas no Festival, a cultura é o coração de toda uma população, de uma cidade, “é onde a gente encontra valor, identificação, é onde a gente se reconhece e cria autoestima, e um povo com autoestima é um povo potente que pode realizar qualquer coisa. Tudo o que eu vi aqui em Ibirataia, na região, transbordou isso tudo, muita riqueza, muita coisa interessante, e todo mundo que chega fica encantado, deslumbrado e muito impressionado”, reforçou a ceramista.
A cidade do futuro moldada no barro
Durante o festival, o Cores da Terra e o Instituto Homens de Barro apresentaram um de seus mais ambiciosos projetos: a Cidade dos Homens de Barro, com o lançamento da Maquete Conceitual da Cidade do Homem de Barro. A proposta consiste em um planejamento que visa transformar Ibirataia em um polo de turismo de formação cultural sustentável. A maquete representa um futuro onde o turismo criativo se integra às práticas culturais locais a serem difundidas pelas formações, sem descaracterizá-las.
A iniciativa prevê a criação de novos espaços para formação, para artesãos locais, workshops para turistas e visitantes, além de roteiros culturais que conectam a história do barro com a modernidade. O projeto já está em fase de captação de recursos e promete gerar um impacto significativo na geração de trabalho e renda para a população local.
“A Cidade dos Homens de Barro como desdobramento do Festival Cultural da Queima dos Homens de Barro é um exemplo de como a cultura pode ser a base para um desenvolvimento econômico sustentável, quando aliada à educação e ao planejamento estratégico. A parceria entre a UFRB e o MTE, por meio do PMQ, e projetos inovadores como o "Cores da Terra" mostram que o futuro de Ibirataia está sendo moldado, literalmente, no barro.